Hoje em dia o assunto educação sexual deve ainda mais fazer parte de nossas discussões cotidianas. É claro que o assunto ainda é tratado como tabu por algumas pessoas, devido a maneira que ele foi tratado por nossos pais e pela sociedade num modo geral.
Me pergunto se falta informação, pois nossas adolescentes continuam a engravidar cada vez mais cedo. No entanto, não é falta de informação, pois a informação vem em forma de enxurrada pela mídia (televisão, internet, etc). Mas e por que esses jovens (muitas vezes crianças ainda) continuam não se prevenindo e iniciando a vida sexual cada vez mais cedo?
Acho que a resposta esta na qualidade dessa informação, na forma que ela é repassada e como os nossos jovens e crianças recebem essas informações.
A família empurra para a escola o papel de educar sexualmente, e a escola empurra para a família. E mesmo quando as informações são omitidas, ainda assim nossas crianças e jovens estão sendo educados sexualmente.
Acho que o fundamental nesse caso é entender que a educação sexual deve se iniciar assim que a criança nasce e não na adolescência, período em que as mudanças hormonais começam a ocorrer.
Só educando sexualmente nossas crianças desde o seu nascimento é que poderemos perceber os benefícios que trarão.
Conforme Suplicy (1990, p. 25):
Uma criança que recebe orientação sexual, e que tem pais com que possa conversar, tem maios possibilidade de assimilar os conceitos de responsabilidade pela própria saúde, higiene e bem estar, assim como pela saúde e bem estar do outro, com quem mais tarde terá relação sexual. A educação sexual dada pelos pais implica não somente em passar informações e transmitir valores, mas também em desenvolver o respeito pelo outro.
Os benefícios que a criança que é educada sexualmente recebe vão refletir em todos os aspectos da sua vida. Mas infelizmente nem todas as pessoas pensam dessa forma.
Louro nos traz alguns questionamentos muito pertinentes, que apresento a seguir com relação a Educação Sexual (Louro, 1997, p. 128):
Educação sexual é uma questão do âmbito do privado a ser encaminhada e tratada exclusivamente pela família ou a escola dela deve participar (ou dela deve se incumbir)? É conveniente falar sobre sexualidade ou isso pode incitar precocemente os/as jovens? Se tais questões forem discutidas na escola, devem ser desenvolvidas numa disciplina específica ou devem ter um caráter multidisciplinar? Devem ser compartilhadas por várias disciplinas? Num horário regular? Obrigatório? Extra classe? Opcional? Que tipo de formação devem ter os/as professores/as encarregados/as dessa atividade? Qual o caráter de suas aulas? O objetivo (ou a preocupação) deve ser informar? Prevenir? Orientar? Moralizar?
Acho que ao invés de se jogar a função de educar sexualmente de um lado para outro, a escola deve se unir com a família nessa jornada. E concordo que a escola deva dispor de um período destinado a educação sexual de seus alunos, contando com profissionais especializados para esse trabalho, já que os pais não possuem formação para isso.
Essa educação sexual na escola deve ser conforme a idade de nossas crianças, pois as curiosidades e necessidades vão variar conforme a idade.
Ocasionalmente podem ocorrer problemas com alguns pais que podem acreditar que tratar a educação sexual pode levar a uma erotização precoce. Mas na minha opinião ocorre justamente o contrário, pois a criança que possui a informação fica muito mais segura para iniciar a vida sexual mais tarde, pois não possui mais o interesse pelo proibido e desconhecido.
A educação sexual não é um tema para ser abordado apenas por adultos, esse assunto deve sim fazer parte da vida de nossas crianças, sendo abordado de maneira natural e lúdica, por profissional especializado. Criança informada é criança feliz! Educação sexual também é papo de criança!
Referências Bibliográficas
LOURO, Guacira Lopes. Gênero, Sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes,1997.
SUPLICY, Marta. Papai, mamãe e eu. São Paulo: FTD, 1990.
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